domingo, 25 de outubro de 2009

Assis Chateaubriand, uma viagem na história

42 anos - um pedaço de chão, a terra de uma gente

Assis Chateaubriand faz 42 anos - quatro décadas de luta de um povo glorioso que ama seu pedaço de Brasil, vendo em cada nascer do sol, o marco de um novo dia, que brilha intensamente, como a esperança de cada chateuabriandense que no município faz sua escola, seu trabalho, seu lar e sua vida.

Em 1966 começou a história política - a emancipação administrativa -, quando então, o distrito de Tupãssi deixou oficialmente de pertencer ao município de Toledo e mudou o nome para "Assis Chateaubriand". Uma homenagem ao jornalista Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello.

Ele aqui esteve, no dia 20 de agosto de 1966, quando em sua homenagem foi realizado um grande desfile cívico e uma festa a base de churrasco. Também veio o governador da época, Paulo Pimentel.

Mas essa história começou bem antes disso. Ainda na década de 1950 começaram a chegar os primeiros desbravadores para a derrubada do mato e a abertura do povoado que partiu do jardim Progresso, onde abriram um campo de pouso de aviões para o desembarque dos funcionários e diretores da Colonizadora norte do Paraná, empresa responsável pela colonização do município.

O primeiro nome do povoado, Tupãssi, foi dado em homenagem aos índios Tupaci, (tribo do Mato Grosso do Norte) por Oscar Martinez, dono da Colonizadora Norte do Paraná, empresa responsável pela colonização na região. Antes, outros nomes designavam a localização: Campos dos Baianos e Cidade Morena.

Os colonizadores contratavam homens para proteger as terras, a quem chamavam de "guardas florestais". Os colonos os conheciam por "jagunços".

Surgem os povoados

Como o município era muito grande, nasceram os distritos para evitar longas viagens até a sede. Tupãssi, que ficou com o nome original e depois emancipou-se, encampando os distritos de JS e Brasiliana; Bragantina, chamou-se no início, Norte-Sul. A mudança foi em homenagem ao ex-governador Ney Braga; Encantado, em homenagem aos inúmeros gaúchos que vieram morar no Distrito; Nice, para homenagear Janice Martinez, esposa de Oscar Martinez; Silveirópolis, em homenagem a família Silveira, primeiros moradores do lugar. Engenheiro Azaury, para homenagear o engenheiro que trabalhou no projeto piloto da cidade e Terra Nova, por ser a entrada para o município, através do rio Piquiri. "Estando no lado de Alto de Piquiri, se avistava a Terra Nova, uma nova vida; por isso, o nome do povoado que nasceu em seguida", lembra Rudy Alvarez, primeiro prefeito eleito no município.

Os títulos de posse da região foram concedidos pelo governador da época, Moisés Lupion. O próximo governador do Estado foi Ney Braga. "O Ney queria cancelar todos os títulos concedidos pelo Lupion, então, nós pedimos ajuda ao David Nasser ", afirma Rudy. Nasser era um famoso jornalista da época, amigo de políticos influentes, que intercedeu pela causa e pediu uma homenagem ao patrão, o jornalista Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, dono dos Diários Associados, em São Paulo e outras capitais. Já no livro de Laércio Souto Maior, "História do município de Assis Chateaubriand", Oscar Martinez afirma que a homenagem foi por causa da dedicação do jornalista pelas questões agrícolas e sua grande amizade com ele.

A emancipação

O jornalista, conhecido por "Velho Capitão" se fez presente no dia da emancipação político-administrativa do município, acompanhado do governador do Estado da época, Paulo Pimentel, além de políticos de todo o Brasil. Aproximadamente 15 aviões pousaram no antigo aeroporto naquele dia. Era 20 de agosto de 1966. Chateaubriand já se encontrava com a saúde bastante debilitada, em razão de uma trombose. Como não podia mais falar por causa da doença, seu discurso foi lido pelo ator Lima Duarte, seu funcionário na extinta TV Tupi, que o acompanhava, empurrando sua cadeira de rodas.

A grande festa foi realizada na praça São Francisco de Assis, em uma barraca montada no meio da rua. Vários bois foram assados para o dia, sendo que ao final sobrou muita carne, que acabou sendo levada pela própria população. Segundo Rudy, "o jornalista Chateaubriand só comia frango; então mandamos preparar alguns pra ele", lembrou.

Ruas abertas, surgiu a primeira construção e em seguida muitas outras. Em pouco tempo já tínhamos uma igreja, alguns comércios e uma vila que crescia dia-a-dia, com gente chegando de todo lugar.

Os primeiros comerciantes a se estabelecerem na cidade, foram os irmãos Pires, portugueses que abriram um botequim no antigo campo de aviação, no Jardim Progresso. Depois, eles montaram o primeiro comércio de secos e molhados na avenida Tupãssi.

A produção agrícola já fazia fama com o plantio do café pelas mãos das primeira famílias de agricultores. Depois, a cultura de hortelã tomou lugar por um bom tempo. Mas também cultivava-se o feijão e o milho.

Construindo uma cidade

Estradas eram grandes problemas para a região. Chamadas de "picadas", em períodos de chuvas, ficava impossível transitar com veículos, mesmo que fossem os famosos Jeeps. O caminho para Toledo era feito de muitas curvas e desvios, o que não se fazia em menos de seis horas.

O plantio de hortelã tomava conta de 95% da plantação agrícola. O alto rendimento desta produção atraiu gente de todo o Brasil, através dos corretores, também conhecidos por "picaretas". A terra roxa era o atrativo.

Quase todas as famílias que chegavam, montavam barracas de lonas, na área rural ou na cidade, onde passavam a morar, enquanto eram construídas suas casas.

Enquanto isso, o mato ia sendo derrubado e as lavouras abertas. Várias serrarias foram construídas para o beneficiamento da madeira da região, constituída basicamente de madeira de lei, como ipê e peroba, cujas quais fizeram as casas da cidade e distritos. Era muito rara uma construção em alvenaria. O trabalho pesado para a preparação e plantio da lavoura foi na base do machado e das enxadas.

O povo continuava chegando, apesar das estradas poeirentas ou enlameadas que iam se abrindo por todo o interior do município, dando acesso às propriedades agrícolas, aos distritos e patrimônios.

Com o progresso a olhos vistos, nascia uma estação rodoviária, onde hoje é a praça dos pioneiros; o primeiro hospital; igrejas; farmácias; oficinas e muitos comércios, como as vendas e mercearias que procuravam vender um pouco de tudo, para atender ao povo nas suas necessidades diárias.

Primeiros passos da Educação

Em 1961 surgiu a primeira escola primária e já se comemorava o 7 de setembro com o desfile cívico. Escolas foram construídas em ramais e povoados importantes. Em 1966, a Prefeitura montou uma serraria para beneficiar as madeiras que utilizava na construção de pontes, carteiras escolares e escolas por todo o interior do município. Para levar a educação ao interior, 130 rurais escolas foram erguidas. Praticamente não existiam professores formados e para ensinar as crianças foram também contratadas pessoas com pouca formação para o cargo.

Em pouco tempo já haviam melhores estradas, pontes construídas e o fim da balsa no Rio Piquiri, com a atual ponte em concreto.

Com as necessidades prementes, chegou a água encanada e a luz elétrica. A cada mês, novas escolas e mais alunos faziam o colorido dos dias de uma saudosa época.

As agências bancárias foram se instalando, e com elas novas empresas comerciais traziam a evolução para a cidade.

Segundo o primeiro prefeito eleito, não havia procura de serviços de saúde ou assistência social por parte da população naquela época. Os pedidos eram na grande maioria, para a construção de escolas e estradas.

Chega a energia e surgem as polêmicas

A cidade teve no início, uma usina de energia elétrica, construída em uma barragem no rio Alívio, onde hoje funciona a estação de água da Sanepar. Com geradores de 300 KWA de energia, a hidrelétrica abasteceu toda a cidade, até metade dos anos 70. Os postes eram de madeira e já continham luminárias. A inauguração da iluminação elétrica foi uma grande novidade, fazendo com que os lampiões e as lamparinas de querosene fossem aposentados.

Sempre surgem nas conversas sobre a história de Assis Chateaubriand os assuntos polêmicos, como, a "vinda da Sadia para o município". Os comentários dão conta de que a Sadia foi para Toledo, "porque o prefeito da época não deu apoio", dizem. Rudy Alvarez, prefeito de então, afirma que isso não é verdade: "a Sadia nunca pensou em vir para Assis. Ela foi para o município vizinho, porque já naquela época, Toledo possuía um frigorífico que abatia 150 cabeças de suínos por dia, produzidos naquela região. Assis não criava suínos em quantidade", informa o ex-prefeito, dizendo que por isso, não justificaria montar uma indústria sem matéria prima.

Por outro lado, uma fábrica de papel ergueu paredes mas não funcionou. Conhecida como "Fábrica de Papel", foi iniciada para aproveitar a usina hidrelétrica que foi desativada com a chegada da Copel (Companhia Paranaense de Energia Elétrica) e as águas do rio Alívio. "Nós começamos uma obra que ia vender toneladas de papel para o Brasil, mas infelizmente não teve continuação no governo que me sucedeu", explica Rudy.

Enfim, já são 42 anos!

Num ritmo crescente, os dias foram passando e a paisagem foi mudando. Com a chegada das construções em alvenaria e até alguns prédios, os espaços vagos no plano piloto da cidade foram dando lugar aos salões comerciais que movimentavam milhares de pessoas.

O Censo de 1970 apontou 112 habitantes em todo o município. Há quem afirme que no final dos anos 60, a população alcançou os 130 mil habitantes. Com os problemas da agricultura e o êxodo rural, a população diminuiu consideravelmente. Apesar disso, aconteceu uma acentuada melhora na qualidade de vida, com a vinda dos confortos da nova era, com a construção do asfalto, inauguração da telefonia e outras modernidades, inclusive na área de saúde. Um avanço muito grande para a população da época.

Os anos se passaram. Muita gente se foi. Outros chegaram. Novas escolas, novos alunos. Muitos aniversários e muitos desfiles comemorativos e festas do município faziam as solenidades das passagens de 20 de agosto, ou sete de setembro, onde os colégios mostravam alegorias e seus alunos, como representantes do futuro do município e da nação. Com orgulho, os professores e instituições de ensino colocavam na grande vitrine da avenida, o resultado de um trabalho iniciado nas salas de aulas. Era a cultura de um povo marchando diante dos olhos de uma população também orgulhosa de seus filhos.

Assis Chateaubriand tem um povo alegre que cultiva a boa amizade, por isso, é conhecida como, a Cidade Morada Amiga. Terra da gente. Terra da nossa gente, que sonha em progredir, fazer o melhor para o futuro de seus filhos e ser feliz!

43 anos - Uma história escrita nos anais do tempo. Uma história feita por todos nós.

Voce sabia que...

Quase em frente aos frente ao Hotel Verdes Campos existiu uma escola conhecida como "Grupo Velho"? Abrigava milhares de alunos de 1ª a 4ª séries, parte de uma população de mais de 100 mil habitantes em meados de 1967.

Até 1966, Assis Chateaubriand foi o maior produtor de óleo de hortelã do Brasil? Naquela época havia muitos compradores do produto, estabelecidos na cidade.

Assis Chateaubriand teve fábricas de enlatados de palmito? Uma na rua do Bosque e outra na saída para Toledo, perto da Garapeira do Zé? Em 1967, uma delas provocou um dos primeiros acidentes fatais de trabalho no município.

Os primeiros circos ou parques de diversões que se instalaram na cidade foram montados na esquina da rua Progresso, esquina com avenida Tupãssi? Naquele local, no circo Continental, Tonico e Tinoco cantaram em Assis Chateaubriand pela primeira vez.

Já houve uma Rádio Difusora em Assis? Instalada inicialmente próximo à Igreja São Francisco. Depois, na esquina da avenida do Bosque com avenida Tupãssi e finalmente, onde funcionou por vários anos, na rua dos Pioneiros. Por ser clandestina, foi fechada pela fiscalização federal, antigo Dentel.

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